"Quando acordei ele não estava lá, o outro lado da cama estava arrumado, mas o seu perfume marcante continuava ali: no ar, no travesseiro e, em mim. Talvez eu estivesse delirando. Lembranças de dias passados. A verdade é que eu sinto o perfume dele nos lugares mais improváveis, até mesmo no escritório (escritório que ele não sabe o endereço).
Minha cafeteira foi quebrada por aquelas mãos de homem que não conhece a própria força. Muitas vezes ele parecia não ter força alguma. Faz até parecer obvio que não duraria, como um homem sem força se disponibilizaria para um sentimento tão forte quanto o que nos pegou de surpresa?
A água demora tanto para ferver, e eu nunca mais consegui acertar as doses de açúcar. Eu gostava do café que você costumava preparar para nós. Me aquecia, me despertava.
Pensando bem, é injusto dizer que você não é forte. Dizem por aí que não era para ser. E nós, o que vamos dizer?
Suas roupas chegaram da lavanderia, e você ainda não veio buscar. Desde que suas roupas chegaram eu tenho trabalhado em casa. Tentado trabalhar. E seu celular ficou entre as almofadas do sofá. Eu queria te ligar, preciso falar com você. Eu quero te pedir desculpas.
A vida não tem sido justa com nenhum de nós, não é? E eu que costumava conseguir minhas respostas com tanta facilidade, agora, nesse momento, tenho sido torturada pelas mesmas perguntas que ficam se repetindo em minha mente, tirando qualquer possibilidade de concentração: Volta? Fica? Me aquece? Me desperta?"